Falar é fácil…

19 05 2009

Miguel FalabellaEsta semana saiu uma entrevista com o Miguel Falabella no UOL Televisão, em que ele critica o grau de instrução da população brasileira:

O nível mental das pessoas que assistem à tevê no Brasil é por volta de 9 anos de idade. Em comparação a um jovem francês, o que lê um jovem brasileiro? Um jovem francês lê 200 vezes mais. E um país que não tem educação nos condena à mediocridade. Aqui mesmo tem diálogos e piadas que as pessoas não entendem, porque não têm informação. É o que eu brinco: para entender o “Toma Lá Dá Cá” tem de, pelo menos, ter lido “A Moreninha”.

[...]

Ela [a tevê] precisa se repensar urgentemente, como um todo. Nós precisamos apontar novos caminhos – mas é muito difícil. Porque nós trabalhamos com uma matéria-prima que é a palavra. Quanto menos educado é o povo, menos você pode dizer as coisas, por que as pessoas não entendem. As pessoas não leem e não sabem escrever. É aterrador. Por isso enfatizo a educação. O povo precisa ser educado, a leitura tem de ser incentivada. Não sei o que vai acontecer, mas, obviamente, mudanças são necessárias. (Para ver a matéria completa clique aqui.)

Ele tem toda razão. A educação e a prática de leitura no Brasil está, de fato, longe do ideal.

Agora, é muito fácil dizer que o povo é sem educação e não entende a “arte” produzida por ele. Qual o comprometimento dele, enquanto formador de opinião e comunicador, com a educação?
O que ele (e os meios de comunicação de forma geral) tem feito para reverter essa situação?

Não dá só pra criticar e polemizar, né?





Um livro é todo um mundo (Dia do Livro Infantil)

23 04 2009

No último dia 18 de abril, foi Dia Nacional do Livro Infantil. A comemoração ficou “perdida” no meio do feriado, mas não pode passar em branco…

 

livro-infantil1A data remete ao nascimento de Monteiro Lobato, pai da Literatura Infantil contemporânea no Brasil. Lobato traz, já na década de 1930, várias características da nova infantil/juvenil brasileira: uma literatura imaginativa, que mistura a realidade, ao mágico e ao fantástico. Uma forma de fazer literatura que só se estabelecerá, de fato, quarenta anos depois, com o chamado “boom da literatura infantil”.

As personagens infantis lobateanas (em especial a boneca Emília) são curiosas, inventivas, possuem virtudes e defeitos. Segundo Narizinho (em Reinações de Narizinho):

Emília é de gênio teimoso e asneirenta por natureza, pensando a respeito de tudo de um modo especial todo seu. Melhor que seja assim — filosofou Narizinho. — As idéias da vovó e Tia Nastácia são tão sabidas que a gente já as adivinha antes que elas abram a boca. As idéias de Emília hão de ser sempre novidades.

Para a Profa. Dra. Nelly Novaes Coelho, “Lobato encontrou o caminho criador que a Literatura Infantil estava necessitando. Rompe, pela raiz, com as convenções estereotipadas e abre as portas para as novas idéias e formas que o nosso século exigia”.

Este início de século XXI ainda exige que nossa sociedade redescubra seu passado, reinvente sua moral, dando novos sentidos a sua existência. E a Literatura Infantil — por ser arte, e por sua função educativa — tem papel fundamental nessa transformação. Que nós — escritores, ilustradores e editores — como Lobato, continuemos buscando fazer livros “onde nossas crianças possam morar”.





Monteiro Lobato, de A a Z

21 11 2008

livro-a-livroEm 2008, completam-se 60 anos da morte de Monteiro Lobato, e 88 anos da publicação de sua primeira obra infantil, A menina do narizinho arrebitado (1920). Este livro, onze anos mais tarde, seria reescrito e ampliada sob o título de Reinações de Narizinho (1931).

Ainda que Lobato tenha sido também editor, autor de literatura adulta e figura importante da política nacional, sua popularidade se deve principalmente às histórias infantis do Sítio do Picapau Amarelo. São mais de vinte livros, que contam com várias edições, além de inúmeras adaptações para o teatro e cinco versões para a televisão.

Reinações de Narizinho (déc. 1940), Editora Brasiliense.Reinações de Narizinho (2007), Editora Globo.

Reinações de Narizinho, Editora Brasiliense (c. 1947), e em edição atual da Editora Globo (2007).

A editora Brasiliense, fundada em 1943 por Caio Prado Jr., tendo como sócio Monteiro Lobato, deteve até recentemente os direitos de publicação das histórias do Sítio. Em 2006, os herdeiros de Lobato passaram esses direitos à editora Globo. Desde então, a obra de Lobato, infantil e adulta, tem ganhado novas ilustrações, novo projeto gráfico e uma ótima distribuição.

Sem entrar no mérito da preferência pelo novo ou pelo antigo visual, o fato é que, com a mudança de editora - e com a presença diaria das personagens do Sítio na televisão -, a obra de Lobato recobrou fôlego, aparecendo com mais destaque nas livrarias e nas mãos dos leitores.

Com esse movimento editorial em torno de Lobato, têm chegado às livrarias também, aqui e ali, obras de referência sobre o autor. E, sem dúvida, uma das mais importantes foi lançada na semana passada na Livraria Cultura, em São Paulo.

No último dia 18/11, Marisa Lajolo (professora da Unicamp e do Mackenzie, especialista em leitura e em Lobato) e João Luís Ceccantini (professor da Unesp e especialista em literatura infantil) receberam amigos e convidados para autografar a obra Monteiro Lobato, livro a livro (Editora da Unesp, Imprensa Oficial). Estiveram presentes figuras importantes do meio editorial infantil, como o escritor Pedro Bandeira e os editores Plinio Martins Filho (Edusp), Maria Dolores Prades (SM) e Maristella Petrili (Moderna).

Claro que eu estava lá para garantir o meu. Chegando em casa, devorei as primeiras páginas. Imperdível! São 28 artigos sobre todas as publicações infantis de Lobato, muito bem escritos, que revêem e atualizam a pesquisa sobre o autor. Trata-se de uma obra de referência fundamental para quem quiser conhecer um pouco mais sobre Lobato, desejar iniciar uma pesquisa na área e até para os já iniciados.





Novidade editorial

21 08 2008

Amigos, no primeiro post deste blog, disse que estava envolvido com o projeto de um novo selo de literatura infantil. Falei também que, quando pudesse, contaria mais. Chegou a hora…

A nova editora é a Mundo Mirim, um selo de literatura e livros informativos para o público infantil e juvenil. Além das crianças e os adolescentes, a Mundo Mirim é também voltada a educadores, com a publicação de livros para a formação continuada e com ferramentas práticas para a sala de aula.

E ela está nascendo! Já temos os primeiros títulos e um blog: mundomirim.wordpress.com.

E muita coisa está por vir ainda! Mais uma porção de livros em produção, com escritores e ilustradores de primeira linha, e um lançamento oficial no início do ano que vem! No próximo post, sobre a Bienal, vou falar um pouco mais sobre os autores.

Tem sido um trabalho muito prazeroso e desafiador pra mim. Espero que tenha longa vida , e que vocês gostem do resultado!





“Passou o tempo” de Elias José

6 08 2008
Anselmo Gomes)

Elias José em sessão de autógrafos na Livraria da Vila, São Paulo. (Foto: Anselmo Gomes)

Tempo

Passou o tempo de roubar amoras,
mangas, goiabas e mexericas
no quintal dos vizinhos.

Passou o tempo de sonhar vitórias,
com sorriso de campeão
de futebol, basquete ou corrida de carro.

Passou o tempo de empinar pipas
e dar asas aos olhos e ao corpo
para soltar-me no espaço com elas.

Passou o tempo de não ter vergonha de ser rei dos castelos de areia
ou de esconder tesouros de figurinhas,
bolinhas de gude e pedras preciosas.

Passou o tempo de caçar briga,
chamar pro abraço ou xingar a mãe
e a raça toda do amigo-inimigo.

(Elias José. Cantigas de adolescer. São Paulo: Atual, 1992)

No último sábado (dia 2) ficamos um pouco órfãos. O escritor mineiro Elias José faleceu, aos 72 anos, vítima de pneumonia. Nelly Novaes Coelho assim o definiu:

Elias José é dos escritores que se constroem ou reconstroem a cada novo livro, conscientes de que o discurso literário ou a escritura é o elemento-chave da criação literária. A matéria que mais o atrai é a que desafia os limites entre o real e o maravilhoso ou entre o conhecido e o mistério. Nos livros para adultos, essa matéria pe dramática e densa; nos livros para a meninada, surge filtrada pelo humor, ludismo, alegria e emoções. (Nelly Novaes Coelho. Dicionário crítico da literatura infantile juvenil brasileira. p. 289. São Paulo: Edusp, 1995. Atualmente publicado pela Cia. Editora Nacional)

Para mim, Elias José é daqueles autores que, por mais que tenham escrito, farão muita falta por todas as poesias e histórias que ficaram em sua cabeça e não se transformaram em palavras. Mas, para amenizar um pouco essa ausência, Elias José deixou mais de cem livros. Neles poderemos sempre ler suas histórias e sua poesia, “fruta doce e gostosa”.

E, agora, “quem quiser que conte outra”





Evento: O papel das bibliotecas na formação do leitor

30 07 2008

Amanhã, na Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro), acontecerá um debate sobre o papel das bibliotecas na formação do leitor. O evento faz parte do ciclo “Leitura em Debate: a Literatura Infantil e Juvenil”, que acontece sempre na última quinta-feira de cada mês.

Esta edição será mediada pela escritora infantil-juvenil Anna Claudia Ramos, e contará com a presença de Maria Augusta da Nóbrega Cesarino, Ana Lígia Medeiros e Isabella Massa.

Para mim, eventos como esse são importantíssimo, uma vez que trazem a discussão, o número insuficiente e a qualidade deficitária das bibliotecas públicas no Brasil. A ampliação dessa rede (aproximando-se mais de todo os públicos), a atualização do acervo (incluindo títulos recentes, e também áudio, vídeo e multimídia) e uma renovação na concepção desse espaço (com eventos interessantes, profissionais especializados, ambientes mais agradáveis) é fundamental para a tão sonhada democratização da leitura.

Para quem não puder ir pessoalmente, o debate terá transmissão simultânea no site do Instituto Embratel (no link TV PontoCom) , que apóia o evento.

Onde: Fundação Biblioteca Nacional (ou no link da  TV PontoCom)

Quando: 31/7, às 16h

Veja mais informações no convite oficial.





Cultural ou educacional, eis a questão

29 07 2008

Deu sábado (26/7) no O Globo:

Conforme Ancelmo Góis, a ABL apresentou um projeto de captação para uma nova edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Mas o MinC recusou. Alegou que o projeto era “educacional” e não “cultural”.

Para quem não sabe, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, o VOLP, é uma obra que registra a ortografia correta das palavras da língua portuguesa. A nova edição dela é urgente, a fim de esclarecer as muitas dúvidas e lacunas deixadas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (aquele que elimina o trema e mexe em regras de acentuação e de uso do hífen). A nova ortografia deve entrar em vigor no ano que vem e ser totalmente instituída até 2010, e niguém sabe se usa “re-escrever” ou “reescrever”, “girassol” ou “gira-sol”, etc (clique aqui para ver artigo sobre o assunto).

Agora, voltando à nota do Ancelmo Góis, alguém pode me explicar qual o limite entre o “cultural” e o “educacional” nesse caso?

O nosso ministro Gil concede tanto incentivo a projetos pseudoculturais, que servem na verdade de faixada para publicidade de empresas privadas (livros patrocinados pela indústria farmacêutica, centros pseudoculturais de bancos e afins) e, agora que há um projeto tão importante neste momento, ele lava as mãos… Alguém entende?





Dia do Escritor: contra fel, moléstia, crime

28 07 2008

Na última sexta-feira (25/7), se comemorou o Dia Nacional do Escritor. Ao que parece, a data foi decretada em 1960, em decorrência do I Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela União Brasileira de Escritores (UBE).

Manoel de Barros, poeta para crianças e adultos, compara o ofício do escritor (e de todo artista) ao de um catador de pregos sem ponta:

O catador

Um homem catava pregos no chão.
Sempre os encontrava deitados de comprido,
ou de lado,
ou de joelhos no chão.
Nunca de ponta.
Assim eles não furam mais – o homem pensava.
Eles não exercem mais a função de pregar.
São patrimônios inúteis da humanidade.
Ganharam o privilégio do abandono.
O homem passava o dia inteiro nessa função de catar
pregos enferrujados.
Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter.

(Em: Tratado geral das grandezas do ínfimo. Rio de Janeiro: Record, 2001.)

Se para Manoel de Barros a poesia é (e deve ser) “inútil”, para Chico Buarque ela serve para muita coisa:

Paratodos (1993)

[...]

Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro

Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho

Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto

[...]

Na prática, são duas formas de dizer o mesmo: a arte, por não se referir a nada objetivo, por não ter uma utilidade prática, com suas metáforas, alcança cada um de formas diferentes. É por isso que se relemos uma obra anos depois, descobrimos na obra imagens que antes não tínhamos reparado. É claro que não foi a obra que mudou, fomos nós: nossos pensamentos, dúvidas, sentimentos… É como um espelho: cada um que se põe diante dele, vê algo diferente (um pouco de si e do ambiente ao redor). Se mudamos a posição, o olhar, ou se nós mesmos mudamos a imagem no espelho também se transforma.

Meu profundo agradecimento aqui aos escritores que, com suas obras, me provocam e se esforçam em nos livrar do automatismo e a enxergar melhor o nosso redor e a nós mesmos.





Yes, nós temos literatura infantil!

24 07 2008

Deu ontem no Valor Econômico (23/7/2008), por Beth Koike:

Nem só de Paulo Coelho vive a literatura brasileira no exterior. O mercado editorial nacional faturou R$ 14,4 milhões com a venda de direitos autorais a outras nações em 2006, uma alta de 4,2 em relação ao ano anterior. O valor ainda é pouco representativo se comparado aos R$ 194 milhões desembolsados pelas casas editoriais para compra de obras estrangeiras. Mas há sinais de que a exportação de direitos autorais de obras brasileiras continua crescendo e que o livro infantil, em especial, atrai interesse dos estrangeiros. Editoras como Melhoramentos, Companhia das Letras, Callis e Cosac registram maior procura pela literatura infantil brasileira por parte de compradores estrangeiros. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) também percebeu a movimentação e assina nesta quarta-feira um convênio com a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para que as editoras do país vendam mais livros lá fora.

'Juan Felizario Contento' (Fondo de Cultura, México) - Versão em espanhol do livro 'João Felizardo, o rei dos negócios' (Cosac & Naify), de Angela Lago.

'Juan Felizario Contento' (Fondo de Cultura, México). Versão em espanhol de 'João Felizardo, o rei dos negócios' (Cosac & Naify), de Angela Lago.

Olhando só a proporção entre as importações e a exportações, precisaríamos exportar 15 vezes mais para nivelar ao valor das importações… É, a balança não é das mais favoráveis! Agora, se levarmos em conta a nossa longa história de exportação de matéria-prima (barata) e importação de produtos finais elaborados e industrializados (mais caros), um aumento de quase 50% na venda de direitos autorais de um produto cultural, o livro, é digno de estourar champanhe!

E, como diz a matéria, a alta é em grande parte decorrente do mercado de literatura infantil! O que é melhor ainda! De fato, em minhas leituras de literatura infantil estrangeira, que faço por conta do trabalho e dos estudos, o livro nacional na média não perde em nada em qualidade editorial, gráfica e literária para os gringos! É claro que existem grandes escritores estrangeiros… Para citar só um exemplo, há a inglesa Babette Cole, cujos títulos – bem-humorados, irreverentes, questionadores -, são em parte traduzidos pela Editora Ática… Mas também temos os nossos: Ana Maria Machado, Eva Furnari, Angela Lago, Ricardo Azevedo… e por aí vai!

Torço para que esse crescimento se repita no próximo ano… E em todos os outros!





Boneca de pano ganha de Harry Potter na mente dos leitores

23 07 2008
Em�lia, ilustrada por J. U. Campos (1947), e cena do filme Harry Potter e a Ordem da Fenix (2007)

Emília, ilustrada por J. U. Campos (1947), e cena do filme Harry Potter e a Ordem da Fenix (2007).

No começo do mês, saiu o relatório Retratos do livro no Brasil. Ele é resultado de uma extensa pesquisa promovida pelo Instituto Pró-Livro (uma parceria entre o governo e entidades privadas do livro no Brasil). A maioria dos dados apresentados, ainda que tristes constatações, não são novidade:

  • Apenas 8% da população considera a leitura uma atividade prazerosa, associando-a na maioria das vezes à obtenção de conhecimento.
  • Quase metade dos entrevistados (45%) não leu nenhum livro nos últimos três meses.
  • Dos outros 55%, metade são estudantes, que afirmam que lêem o que a escola indica (o que inclui os livros didáticos!)

Ainda assim, para a nossa literatura infantil, há notícias boas, como a de que o gênero está entre os quatro mais lidos (perdendo só para a Bíblia, em primeiro lugar, para os livros didáticos e para os romances). Além disso, cerca de 75% da crianças e adolescentes são leitores (20% a mais que a média).

Mas durante a leitura do relatório um dado curioso me surpreendeu: Lobato é o escritor mais admirado pelos leitores (e entre os 10 mais, há também Cecília Meireles e Maurício de Souza, autores reconhecidos por sua produção para crianças). O pai de Emília está à frente inclusive de Paulo Coelho e Jorge Amado (escritores bastante populares) e de Machado de Assis (considerado por muitos como o maior escritor da literatura brasileira)… É claro que Lobato tem também importantes obras de literatura para adultos, como Urupês e Negrinha, mas algo me diz que a Condessa de Três Estrelinhas tem um dedo nisso…

Os dez escritores mais admirados

  1. Monteiro Lobato
  2. Paulo Coelho
  3. Jorge Amado
  4. Machado de Assis
  5. Vinícius de Moraes
  6. Cecília Meireles
  7. Carlos Drummond de Andrade
  8. Érico Veríssimo
  9. José de Alencar
  10. Maurício de Souza

Confirmei essa minha intuição quando li outra informação: “O Sítio do Picapau Amarelo” é citado pelos leitores como uma das obras mais importantes para eles, perdendo apenas para a Bíblia… À frente até de Harry Potter, que teve que se contentar com o quarto lugar na mente dos leitores.

Os dez livros mais importantes para os leitores

  1. Bíblia
  2. O Sítio do Pica-pau Amarelo
  3. Chapeuzinho Vermelho
  4. Harry Potter
  5. Pequeno Príncipe
  6. Os Três Porquinhos
  7. Dom Casmurro
  8. A Branca de Neve
  9. Violetas na Janela
  10. O Alquimista

Isso mesmo! A Marquesa de Rabicó desbancou o bruxo ultra-pré-pós-tudo de Hogwarts… E olha que a boneca está completando 88 anos. Pela desenvoltura dela nem parece que já é uma senhora, né? Que botox que nada! O elixir da juventude é enchimento de macela e olhos de retrós!

Ah, preciso esclarecer que não tenho nada contra Harry Potter! Acho uma leitura muito divertida, prazerosa e uma porta de entrada para conhecer a mitologia medieval e outras leituras… Mas me levou a pensar os motivos do sucesso de Lobato. Ele certa vez, escreveu em carta para o escritor Godofredo Rangel, seu amigo:

Ando com idéias de entrar por esse caminho: Livros para crianças. De escrever para marmanjos já enjoei. Bicho sem graça. Mas para as crianças, um livro é todo um mundo. Lembro-me de como vivi dentro do Robson Crusoe do Laemmert. Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar. Não ler e jogar fora; sim morar, como morei no Robson e nos filhos do Capitão Grant. (Lobato, Monteiro. A Barca de Glever. São Paulo: Brasiliense, 1956.)

Parece que seu desejo foi atendido.

É claro que a fama do Sítio não se deve somente aos livros, as adaptações para TV ajudam muito… Entretando, para mim, algumas características das personagens infantis de Lobato têm aí também um papel fundamental! Taí um assunto pra um outro post