Boneca de pano ganha de Harry Potter na mente dos leitores

23 07 2008
Em�lia, ilustrada por J. U. Campos (1947), e cena do filme Harry Potter e a Ordem da Fenix (2007)

Emília, ilustrada por J. U. Campos (1947), e cena do filme Harry Potter e a Ordem da Fenix (2007).

No começo do mês, saiu o relatório Retratos do livro no Brasil. Ele é resultado de uma extensa pesquisa promovida pelo Instituto Pró-Livro (uma parceria entre o governo e entidades privadas do livro no Brasil). A maioria dos dados apresentados, ainda que tristes constatações, não são novidade:

  • Apenas 8% da população considera a leitura uma atividade prazerosa, associando-a na maioria das vezes à obtenção de conhecimento.
  • Quase metade dos entrevistados (45%) não leu nenhum livro nos últimos três meses.
  • Dos outros 55%, metade são estudantes, que afirmam que lêem o que a escola indica (o que inclui os livros didáticos!)

Ainda assim, para a nossa literatura infantil, há notícias boas, como a de que o gênero está entre os quatro mais lidos (perdendo só para a Bíblia, em primeiro lugar, para os livros didáticos e para os romances). Além disso, cerca de 75% da crianças e adolescentes são leitores (20% a mais que a média).

Mas durante a leitura do relatório um dado curioso me surpreendeu: Lobato é o escritor mais admirado pelos leitores (e entre os 10 mais, há também Cecília Meireles e Maurício de Souza, autores reconhecidos por sua produção para crianças). O pai de Emília está à frente inclusive de Paulo Coelho e Jorge Amado (escritores bastante populares) e de Machado de Assis (considerado por muitos como o maior escritor da literatura brasileira)… É claro que Lobato tem também importantes obras de literatura para adultos, como Urupês e Negrinha, mas algo me diz que a Condessa de Três Estrelinhas tem um dedo nisso…

Os dez escritores mais admirados

  1. Monteiro Lobato
  2. Paulo Coelho
  3. Jorge Amado
  4. Machado de Assis
  5. Vinícius de Moraes
  6. Cecília Meireles
  7. Carlos Drummond de Andrade
  8. Érico Veríssimo
  9. José de Alencar
  10. Maurício de Souza

Confirmei essa minha intuição quando li outra informação: “O Sítio do Picapau Amarelo” é citado pelos leitores como uma das obras mais importantes para eles, perdendo apenas para a Bíblia… À frente até de Harry Potter, que teve que se contentar com o quarto lugar na mente dos leitores.

Os dez livros mais importantes para os leitores

  1. Bíblia
  2. O Sítio do Pica-pau Amarelo
  3. Chapeuzinho Vermelho
  4. Harry Potter
  5. Pequeno Príncipe
  6. Os Três Porquinhos
  7. Dom Casmurro
  8. A Branca de Neve
  9. Violetas na Janela
  10. O Alquimista

Isso mesmo! A Marquesa de Rabicó desbancou o bruxo ultra-pré-pós-tudo de Hogwarts… E olha que a boneca está completando 88 anos. Pela desenvoltura dela nem parece que já é uma senhora, né? Que botox que nada! O elixir da juventude é enchimento de macela e olhos de retrós!

Ah, preciso esclarecer que não tenho nada contra Harry Potter! Acho uma leitura muito divertida, prazerosa e uma porta de entrada para conhecer a mitologia medieval e outras leituras… Mas me levou a pensar os motivos do sucesso de Lobato. Ele certa vez, escreveu em carta para o escritor Godofredo Rangel, seu amigo:

Ando com idéias de entrar por esse caminho: Livros para crianças. De escrever para marmanjos já enjoei. Bicho sem graça. Mas para as crianças, um livro é todo um mundo. Lembro-me de como vivi dentro do Robson Crusoe do Laemmert. Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar. Não ler e jogar fora; sim morar, como morei no Robson e nos filhos do Capitão Grant. (Lobato, Monteiro. A Barca de Glever. São Paulo: Brasiliense, 1956.)

Parece que seu desejo foi atendido.

É claro que a fama do Sítio não se deve somente aos livros, as adaptações para TV ajudam muito… Entretando, para mim, algumas características das personagens infantis de Lobato têm aí também um papel fundamental! Taí um assunto pra um outro post


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Uma resposta

25 02 2009
MARCOS DE ANDRADE

Monteiro Lobato merece uma cadeira cativa nas escolas de nosso país. É inegavel que sua obra marcou muitas gerações. é preciso que as novas gerações aprendam a gostar da leitura e para isso, a literatura infanto-juvenil e infantil é o começo. Depois, se quiserem ler Don Casmurro, tudo bem.

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