Deu ontem no Valor Econômico (23/7/2008), por Beth Koike:
Nem só de Paulo Coelho vive a literatura brasileira no exterior. O mercado editorial nacional faturou R$ 14,4 milhões com a venda de direitos autorais a outras nações em 2006, uma alta de 4,2 em relação ao ano anterior. O valor ainda é pouco representativo se comparado aos R$ 194 milhões desembolsados pelas casas editoriais para compra de obras estrangeiras. Mas há sinais de que a exportação de direitos autorais de obras brasileiras continua crescendo e que o livro infantil, em especial, atrai interesse dos estrangeiros. Editoras como Melhoramentos, Companhia das Letras, Callis e Cosac registram maior procura pela literatura infantil brasileira por parte de compradores estrangeiros. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) também percebeu a movimentação e assina nesta quarta-feira um convênio com a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para que as editoras do país vendam mais livros lá fora.

'Juan Felizario Contento' (Fondo de Cultura, México). Versão em espanhol de 'João Felizardo, o rei dos negócios' (Cosac & Naify), de Angela Lago.
Olhando só a proporção entre as importações e a exportações, precisaríamos exportar 15 vezes mais para nivelar ao valor das importações… É, a balança não é das mais favoráveis! Agora, se levarmos em conta a nossa longa história de exportação de matéria-prima (barata) e importação de produtos finais elaborados e industrializados (mais caros), um aumento de quase 50% na venda de direitos autorais de um produto cultural, o livro, é digno de estourar champanhe!
E, como diz a matéria, a alta é em grande parte decorrente do mercado de literatura infantil! O que é melhor ainda! De fato, em minhas leituras de literatura infantil estrangeira, que faço por conta do trabalho e dos estudos, o livro nacional na média não perde em nada em qualidade editorial, gráfica e literária para os gringos! É claro que existem grandes escritores estrangeiros… Para citar só um exemplo, há a inglesa Babette Cole, cujos títulos – bem-humorados, irreverentes, questionadores -, são em parte traduzidos pela Editora Ática… Mas também temos os nossos: Ana Maria Machado, Eva Furnari, Angela Lago, Ricardo Azevedo… e por aí vai!
Torço para que esse crescimento se repita no próximo ano… E em todos os outros!