Tempo
Passou o tempo de roubar amoras,
mangas, goiabas e mexericas
no quintal dos vizinhos.
Passou o tempo de sonhar vitórias,
com sorriso de campeão
de futebol, basquete ou corrida de carro.
Passou o tempo de empinar pipas
e dar asas aos olhos e ao corpo
para soltar-me no espaço com elas.
Passou o tempo de não ter vergonha de ser rei dos castelos de areia
ou de esconder tesouros de figurinhas,
bolinhas de gude e pedras preciosas.
Passou o tempo de caçar briga,
chamar pro abraço ou xingar a mãe
e a raça toda do amigo-inimigo.
(Elias José. Cantigas de adolescer. São Paulo: Atual, 1992)
No último sábado (dia 2) ficamos um pouco órfãos. O escritor mineiro Elias José faleceu, aos 72 anos, vítima de pneumonia. Nelly Novaes Coelho assim o definiu:
Elias José é dos escritores que se constroem ou reconstroem a cada novo livro, conscientes de que o discurso literário ou a escritura é o elemento-chave da criação literária. A matéria que mais o atrai é a que desafia os limites entre o real e o maravilhoso ou entre o conhecido e o mistério. Nos livros para adultos, essa matéria pe dramática e densa; nos livros para a meninada, surge filtrada pelo humor, ludismo, alegria e emoções. (Nelly Novaes Coelho. Dicionário crítico da literatura infantile juvenil brasileira. p. 289. São Paulo: Edusp, 1995. Atualmente publicado pela Cia. Editora Nacional)
Para mim, Elias José é daqueles autores que, por mais que tenham escrito, farão muita falta por todas as poesias e histórias que ficaram em sua cabeça e não se transformaram em palavras. Mas, para amenizar um pouco essa ausência, Elias José deixou mais de cem livros. Neles poderemos sempre ler suas histórias e sua poesia, “fruta doce e gostosa”.
E, agora, “quem quiser que conte outra”…

Estou cursando o segundo ano de letras e resolvi fazer minha monografia a respeito da vida e obras do nosso querido Elias José.É muito gratificante vir a saber das maravilhas que este autor realizou neste mundo a fora,assim conquistando seu espaço,com sua simplicidade e carisma.Ele se foi,nos deixando uma rica herança…
J Augusto, merecido elogio ao conterrâneo Elias José. Tive a felicidade de tê-lo como amigo, companheiro de letras, pessoa muito querida.
Sempre que nos encontrávamos em feiras de livros, de noites de autógrafos, lá vinha o abraço forte, amigo, companheiro. Conversávamos longamente sobre educação, literatura, proseando mineiramente, um cadinho de prosa, relembrando, com Silvinha junto, coisas da nossa Guaxupé.
Deve estar lá no Céu, fazendo roda, brincando de trava-línguas, de poesia de roda, encantando a anjaiada!
Parabéns também, J. Augusto, pelo site. Dinâmico, convidativo à leitura.
Abração do Puntel